Feliz aniversário, Pai…

Setembro 1, 2009

A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca inesperada
Ela que é na vida
A grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida.

Vinícius de Moraes – Rio de Janeiro

…oggi e prima di…

Novembro 1, 2008

Ah… faz tanto tempo…

As vezes parece ontem, noutras, uma eternidade de lonjura…
O q me espera no horizonte?!

Eu to com sono… hj nao eh um bom dia para escrever…

Segundo Sol…

Maio 27, 2008

O coração estava cansado e pulsava somente porque esse movimento era involuntário. Voluntário fosse, há muito não bateria. Agora, após batalhas perdidas, ele ainda lutava para manter um pouco de si e não ser fagocitado pela razão. Sabia que era melhor render-se, doeria menos, mas ainda assim… o problema de Coração é bater pelas causas erradas. Tão involuntárias quanto os batimentos as lágrimas começaram a rolar. Motivo?! Todos e nenhum. Apenas rolavam pra desoprimir um pouco o peito, talvez quem sabe aliviar a pressão da cabeça, grande e pesada como nunca. Apesar disso, certo alívio existia. Alívio pelo fim da indefinição. Aquele alívio supremo que só as certezas podem dar. O paciente não estava mais entre a vida e a morte. A agonia de corredores não existia mais. A morte selou de vez todas as dúvidas. Numa curva, ela viu. Redondo, dominando um céu de tons azuis e róseos, um Sol de fogo q morria com a tarde. Intenso. Forte. Grande. Rei. A imensa beleza qure precede o fim. E então percebeu… um dia, seria capaz de ver a beleza contida no seu fim.

Aquele espetáculo de púrpuras e ouros era tão belo q dava vontade chorar. Não segurou uam lágrima sequer. Deixou o sal molhar o sorriso q aquela beleza evocou. Tirou os óculos e olhou aquilo que parecia tão real e tão próximo. O coração cantarolou

“Assim que quer, assim será
Eu vou pra não voltar
Toma este anel que é pra anular
O céu, o sol e o mar
Eu não queria ir assim
Tão triste, triste…
Vem dizer adeus ao que restou de quem um dia foi feliz”

Ah… aquela agulhada no peito. Funda. Mas de repente soube: aquele sol era Apolo, lembrando à ela q o mais importante não era a morte, mas o renascimento. Q a morte podia ser bela e isso não a impediria de retornar, com todo fulgor. Era só uma questão de seguir a própria natureza. Não construir outra pira de sacrifício… afinal, ela ainda soltava fumaça e era quente ao toque da última imolação, mas de tecer lentamente seu casulo. Fios delicados de seda, larva frágil e pequenina… Chronos se encarregaria do resto.

Então ela desceu lentamente os degraus do ônibus. Subiu também devagar os degras da escada. Aspirou o sutil aroma de eucaliptos. E foi viver a realidade que existia no agora e que não podia esperar. Business first.