Bom dia, Kafka…

Dezembro 23, 2008

Olá, meu velho… Este será o terceiro Natal sem vc.  No primeiro, estávamos três em uma festa fora de casa, comemorando 90 anos de alguém q não era você. No segundo, três de novo – na minha casa. O clima, que nunca foi assim uma Brastemp, não estava dos melhores mas, por alguns motivos muito circunstanciais e efêmeros, eu ainda sorria. Aquilo parecia q podia ter algum sentido. Neste, o número caiu. O núcleo é a mesma dupla q vc, um dia, negou – pra depois se arrepender amargamente – até o último suspiro. Mas o q está em jogo aqui não são arrependimentos. O q eu me questiono hoje é, afinal, porque essa de comemorar justo o Natal… eu podia ver a mamãe em uma data mais decente, mais acertada, menos corrida… comemorar q ela está viva, ativa e comigo,mas vou ter q vê-la correndo… cumprindo uma espécie de rito. Ela, com aquela fé capaz de mover qualquer montanha e eu, mais descrente do que nunca. Vc sabe, eu nunca fui a mais religiosa das pessoas e gostava daquela reunião, mais do q qualquer coisa, pq ela me soava com o mais próximo q teríamos de uma união familiar. Para variar, eu estava errada, não é mesmo?! Éramos quatro, nos tornamos três, agora duas e, suspeito, no fim das contas sou uma só, desde sempre e ad eternum. Devo ter errado o latim, mas a idéia eu acertei. É mercado, mercado e mercado… mais do q nunca a data me soa maquiada e falsa, um bando de gente gastando o q tem e o q não tem e fingindo q gostam uns dos outros. Ok ok… há algumas pessoas q se gostam de verdade, outras poucas q creem genuinamente na data e ainda outras, mais raras ainda, que creem com tanta luz q é impossível ser soturna perto delas. Felizmente pra mim, essas são mesmo poucas… É amanhã, né?! Nasceu o crucificado… ele e mais um monte de outros filhos de virgens, cada um em seu quadrado mitológico… claro, o q originou o natal foi, até agora, o mais bem sucedido… vc acreditava nele… não sei se ele acrediat em mim… seja lá como for,  lá vou eu, de novo, torcendo pra um “milagre” capaz de tornar este tal de natal um trem com sentido outra vez, como foi, um dia, na minha infância… como eu achei, um tempo atrás, q poderia voltar a ser… vou para o natal, independente de quem seja o aniversariante, em nome de uma única mágica, a q me lembra de q tenho, ainda, um pouquinho de coração… vou ver a mulher mais forte do mundo… ela sim, minha religião: eu tô chegando, mãe.