Romãs…
Maio 20, 2008
Não sei se foi por causa da romanzeira, igual a que tinha no seu jardim na minha infância. Ou se foi pelo dia que, mesmo ensolarado, não conseguiu me aquecer. Se foi a gripe, que deixou meu nariz vermelho e a cabeça pesada. O fato é q eu lembrei.
“- Vai com Deus, Ninha! Nossa Senhora te abençoe! Boa viagem!”
Foi a última coisa que você me disse. Eu fui pra casa, sob toda a proteção divina invocada por você, e nunca mais conversamos. Às vezes parece que foi ontem, às vezes parece que já se passou uma eternidade. O calendário disse hoje que faz um ano que você se foi.
Saudades de você, viu Tia Glória… Minha eterna madrinha de uma crisma que nunca aconteceu. Sua risada faz falta nas reuniões de família e eu não fui a nenhuma festa deles desde que você resolveu voar. Não dá para imaginar todos os Freitas juntos em vc. Eu não consigo. Mesmo.
Você, que guardava o cigarro aceso no bolso pra não me desagradar. Q fazia as melhores empadinhas do mundo e ainda me deu as forminhas e ensinou a massa, para que eu pudesse fazê-las também. Lembro de você na cozinha de casa, rindo e contando casos enquanto pincelava os quitutes com gema de ovo e café. Ainda tenho o timbre da sua voz nos ouvidos. “Ninha!” Agora quase ninguém me chama assim. Todos se foram ou não os vejo mais: papai, você…
Tá todo mundo longe. Até a mamãe, que tá perto qndo comparada a vcs, tá longe demais pra um abraço. E isso pesa. Depois de vc eu não sei mais perder nada nem ninguém. Tá em paz, né Tia?! Eu sei q tá. E eu tô aqui, cansada dessa batalha, mas ainda com as bençãos de Deus e Nossa Senhora, como vc mandou! E agora vendo mais uma estrelinha no céu… mas admito que preferia vc aqui.
Ah, as romãs nunca mais serão as mesmas…