The rest is silence…

Outubro 30, 2007

Era canto de sereia… reconheceu imediatamente… tão belo quanto mortífero, e a questão se colocou imperiosa: queria ou não naufragar? Olhou longamente o céu…

Estrela por estrela, se apagou o firmamento. Quando a escuridão encobriu os olhos como um poço de piche – um estalo -  e um golpe de luz pura cortou o céu de alto a baixo…  Na proa do navio, muito longe da segurança das amarras ou do mastro, via a possível tempestade se aproximar… impassível…

Respirou fundo e junto com  estrondo do trovão e da onda que quebrou gigantesca na madeira curtida pela longa jornada,  sentiu um arrepio cortar seu corpo como o relâmpago cortara a noite segundos antes…

Soube que a segurança estaria perdida para sempre se não resistisse ao canto, à tempestade, à loucura… cíclopes e sereias e grifos e dragões… besta mitológica alguma agora poderia ajudá-la ou feri-la…  era presa de seu veneno, de seus devaneios de perfeição… ali… todos… ao alcance de mão… O que desejava?! O porto?! Ou arrebentar-se contra as rochas, sem nome ou identidade possível?!

E  a primeiro gota caiu… e o céu desabou… o vento asfixiava e o pavor misturou-se indistintamente ao delírio da imensuralidade daquelas águas… Insensatez… sorriu… descalçou as pesadas botas de guerra, jogou de lado a armadura e deixou que a água fustigasse o corpo, encharcasse até a medula de cada osso… sobressaltou-se com outro ribombar e dessa vez gargalhou… medos são estúpidos – pensou… a guerra era mais instigante e perigosa quando se lutava de peito aberto…

E  deixou-se ficar com a sensação da roupa colando-se ao corpo e de todo o prazer que era chutar poças… os raios eram cada vez  maiores, mais próximos e menos espaçados… a noite era uma tempestade de luz… também ela o era… e pouco importava se o raio iria ou não fende-la como um tronco seco ou reduzi-la a cinzas… aproveitaria cada instante daquele desafio lançado ao vento, aos deuses todos e que naquele instante encontrava resposta e não apenas  eco da própria voz…

Sentiu o latejar de cada veia impaciente… talvez uma batalha pudesse começar…

Homework…

Outubro 24, 2007

“Desde el espacio
con su hermano el tiempo
bajo la gravedad insistente
con una luz para ver como no veo.
Entre el ya no y el todavía no
fuí colocado.
El asombro ante lo que desconozco fue mi maestro.
Escuchando su inmensidad.
He tratado de mirar, no sé si he visto.”

Chillida!!! É isso aí, o assombro e a perplexidade diante da imensidão do desconhecido são sempre os melhores mestres… O negócio é mesmo olhar, inda que nunca saibamos se veremos… reaprendo a cada instante sua lição…

Hell…

Outubro 22, 2007

Sinceramente?! Ela estava a ponto de estourar e esfregar a cara dele em um monte de verdades… esfregar exatamente como as lavadeiras de interior de muitos e muitos anos passados esfregavam o tecido nas pedras à margem dos rios.   Estava cansada… muito cansada… de ouvir lorotas e vantagens… de escutar sandices e arrogância… de ajudar e não ter sequer um olhar mínimo de agradecimento… “VÁ PRO INFERNO E FIQUE POR LÁ!!!!Vá pra onde eu não possa te enxergar!!!” Estava ainda mais cansada de vê-lo ser defendido por quem ele mais expropriava… não, não dava pra aturar aquilo… só se não tivesse sangue algum nas veias… e esse ela tinha de sobra e ele estava fervendo… à beira do limite, ele se foi… não sem antes aterra-la com a certeza do retorno…  “por que não se pode escolher os irmãos?!” – ela pensou.  E teve mais uma vez confirmada a certeza de que preferia estar sozinha.

Procura-se…

Outubro 17, 2007

Mais de 500 cães… quase 250 felinos… grandes, pequenos, adultos, bebês… Carência de dono e carinho… Alguém quer adotar um bichinho?!

Procure a Sociedade Mineira Protetora dos Animais!

Hein?!

Outubro 16, 2007

Uma pequena piada e uma grande dúvida para encerrar um dia de cansaços web: como é que direcionaram para este humilde blogzinho, um ser que procurava pela “diferencia entre veia e artéria”?!  Primeiro esta pessoa precisava era de um professor de português, ou de uma gramática.  No mínimo de um dicionário.  Mas veio parar aqui.  Estatísticas sempre me surpreendem…

Butterfly…

Outubro 1, 2007

Quis se despir de si, de suas defesas, fraquezas, medos e desesperanças…
Quis saltar, correr, sair em busca…
Quis gritar até a garganta queimar e os pulmões explodirem…
Quis… quis… quis…

E mais uma vez, ficou querendo…
A natureza, sábia, não permitia q se rompesse o casulo… ainda… mas a lagarta tinha agora consciência q as asas cresciam silenciosas e quando fosse a hora, nada as impediria de abrirem-se ao vento.