People…

Setembro 28, 2007

“Interesso-me apenas por obras que não entendo. E a
sensação de não entender uma obra não é suficiente; o
que importa para mim é uma certa quantidade de enigma,
de perplexidade, que coloca o intelecto em movimento.
Para mim é mesmo a experiência estética que
valorizo, o que me faz seguir, é a sensação de que a
obra contém conhecimento que desconheço.” (Thierry de Duve)

Pessoas e livros. Muitas vezes os livros foram mais interessantes que as pessoas. Pelo menos para ela. Mas um dia, deparou-se com alguém que explicou claramente. Livros e pessoas eram exatamente a mesma coisa. Amar uns e outras estava ligado a condicionamentos muito maiores que a simples razão cartesiana.

Setembro 27, 2007

“Manual de anti ajuda

se o peito nao for de aço pra aguentar o tranco

se o punho não for suficiente pra devolver o soco

se a vida que se vive for muito pouco

melhor pedir a conta!”

E não é q ela concordava em gênero, número e grau com Makely Ka?! Era preciso libertar-se da velha casca…

Plágio…

Setembro 21, 2007

Tem horas que não dá para controlar a besta interior e a primeira pessoa simplesmente EXIGE emergir e falar.  Nada de elas, eles ou os outros.  Diabo!!! A questão é que hoje, eu, Aline, terei q plagiar a idéia genial de uma pessoa para falar das  ”Alegrias q o Google me deu”… 

Um dia, Aline resolve abrir suas estatísticas de leitura.  Certo orgulho, vontade de saber quantos andaram gastando minutos preciosos apenas para ler algumas linhas, em geral pouco esclarecedoras, de sua autoria.  “Acordei literária”… Numa dessas alguém esbarrou em seus escritos via google ao procurar “gata quente”.. tadinho, esse se ferrou, o conteúdo desse blog nunca teve a pretensão de acender a libido de ninguém… o talzinho retornou uma ou duas vezes, mas eu não dei maior importância…  as estatísticas continuaram banais até o dia glorioso de hoje!!! Alguém esbarrou nessas linhas procurando por “Xanas ao vento”!!!!

Então, lá vai: Se o procurado foi Leonardo Xanás… bem, não faço a menor idéia como ele fica ao vento, mesmo porquê o cabelo é curto e não vai ficar esvoaçante… Agora, se procuraram “a perseguida” ao vento… tenta o getty image ou o stockphotos, tem mais chance de achar a imagem do que aqui… ou então, vai logo pruma praia de nudismo…

 Vou rir uma semana depois dessa…

Ave, Henfil!!!

Setembro 20, 2007

“Se não houver frutos
Valeu a beleza das flores
Se não houver flores
Valeu a sombra das folhas
Se não houver folhas
Valeu a intenção da semente”

 

HENFIL, do livro Diretas Já

E ela teve certeza absoluta de q certas coisas nem precisavam ser comentadas…

Deu Bandeira…

Setembro 15, 2007

O ÚLTIMO POEMA

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse eterno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais.
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas,
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Mais que o último poema, assim ela queria cada dia de sua vida (que por mais que ela se esforçasse, tendia a sempre tropeçar numa pedra ou espetar-se num espinho de mediocridade…)

Maybe…

Setembro 4, 2007

Ela sempre se soube Pandora. Presente duvidoso. Curiosidade letal. Mas, naquele momento, pensava que não era a única culpada de tudo. Caminhou nas pontas dos pés e com pulo alcançou a caixa. Deslizou os dedos pelos entalhes graciosos na madeira tão velha quanto o Universo. Uma carícia sutil em um receptáculo capaz de conter tantos males. O mal não fora tão grande, afinal ela tinha salvo a esperança. Era tanto tempo que ela nem se lembrava mais. Sempre que algo muito ruim acontecia pegava a caixa e espiava dentro. O verde esmeralda luzia forte e ela sabia então que, sim, era possível acreditar. Mas naquele dia ele não brilhou. Incrédula, ela abriu um pouco mais a fresta entre caixa e tampa, o suficiente para ver que… as mãos tremeram. Tanto que a caixa foi ao chão. Alguém tinha perdido aquela última fagulha. A caixa, ao tocar a realidade, cresceu até transformar-se em um baú. Apesar do susto, ela não pôde deixar de pensar que sempre achara aquele o tamanho mais adequado. Com um suspiro sentou-se sobre o móvel. As dobras de sua roupa vermelha escorreram sobre a madeira antiga. Visto de perto, assim parecia o sangue a correr nas artérias humanas. E ela sabia que não poderia assumir ou sofrer os problemas dos outros. “Oras!”, pensou. Ela era Pandora, não Atlas. À distância um líquido âmbar brilhava em um copo. Aparentava uma infusão de hortelã. Ao primeiro gole, amargor. Carqueja. “Não foi feito para mim…” Esvaziou ou copo e observou o líquido escorrer pelo ralo. Pobre metáfora humana. “Não deixe sua vida acontecer sem você”, ordenou o reclame. E ela se pegou analisando a diferença entre os dois tipos de mediocridade possíveis no mundo. Aquela advinda da miséria, de recursos e perspectivas, e a voluntária, decisão deliberada de ser menos, ou apenas o suficiente. A segunda era execrável. Causou-lhe náuseas. Mas ela sabia que nada poderia fazer quando olhos cegavam-se voluntariamente para o infinito. Voltou a sentar-se sobre o baú e observou pela janela um pássaro desaparecer na linha do horizonte. Ela tinha todo tempo do mundo. Mitos sobrevivem a algumas existências humanas. O crepúsculo laranja evocava uma melancolia doce. A noite veio pesada e Sol voltou a brilhar. A Terra seguia seu rumo e os humanos não perceberam que, naquele curto intervalo de horas, o Universo tinha se expandido um pouco mais. Era inexorável a contração que levaria tudo de volta a poeira.