Happy Birthday…

Julho 29, 2007

Ela repassou mentalmente a lista adoravelmente piegas de ingredientes necessários àquela alquimia.  Lá estavam favas de baunilha, chocolate, morangos e creme.  Farinha e manteiga.  Uma dose de conhaque e uma medida um tanto ou quanto absurda de… seria admiração?! Dedicação?! Carinho?!  Pensou como era  difícil definir os componentes de uma amizade.  Pensou em como o acaso as vezes dava presentes não esperados.  Sim, ela tinha muitos motivos para comemorar aquele nascimento. Raro.  Dádiva.  Pensou nos muitos quilômetros.  Não eram maiores que inúmeras pequenas felicidades.  Mas faziam toda diferença naquela semana fria.  Sentiu o vento roçar a pele e ergueu um brinde solitário ao dia que desmaiava e à felicidade de um ente que nunca dimensionaria o quanto era importante.  Naquele dia, vento e noite seriam seu toque e imagem.  Mensageiros mais adequados, impossível.  Súbitos e eternos.  Como os desejos piegas e verdadeiros de sucesso futuros.

Vengeance…

Julho 11, 2007

Quando ela acordou ainda estava escuro. Estrelas pontuavam um céu que parecia recusar-se a amanhecer. E então, ela temeu que nunca mais o Sol surgisse. No fundo, o medo genuíno era de que seu dia – e aquilo que ele guardava e a aguardava – fosse escuros. Sombria era alma da frágil sombra que cruzou a soleira da porta e ganhou a rua. Passadas aparentemente seguras disfarçavam um terror crescente que, como um câncer, florescia silencioso e espalhava suas raízes rumo à mais completa dominação. O Sol já ia alto, derramando luz e também criando sombras, que não permitiam que ela olvidasse seu sombrio coração. Uma agonia insinuava-se volta e meia, mas ocultava-se antes que pudesse ser devidamente identificada. A espera prolongava a ansiedade. De repente, o sinal. Era hora. Tremor. Medo. Não. Terror. Agora sabia exatamente o porquê. Falha. Vitória e derrota não mais em suas mãos. O coração pulsava descompassado, em velocidade vertigionosamente crescente. As brumas do dia que morria tomavam de assalto corpo e mente. Nuvens escuras prenunciavam um fim doloroso, que não chegou. Primeiro, timidamente , uma estrela. E outra. E outra. E outra mais. Ela olhou para o céu e viu Sirius e uma imensa Lua cheia. Dourada. Que lhe acompanhou com seu brilho em um retorno seguro. Nos olhos, a certeza radiante dos campeões. Nos lábios, o sabor agridoce da revanche. Poder. E aquilo seria, para sempre, um vício.