De repente fez sentido.  Bastou uma pessoa e algumas palavras.  Um pouco de entusiasmo.  Paixão genuína por algo aparentemente banal.  O dia que começou insuportavelmente cinza viu luzir um pequeno raio metálico.  Ela olhou pela janela e percebeu que as nuvens haviam se dissipado e que era, sim, possível ver a Lua.  Não cheia, nem azul, mas ainda Lua.  Respirou fundo, até sentir o ar quase explodir os pulmões.  E sorriu.  Pela segunda vez naquele dia.  Mais para dentro do que para fora.  Ainda.  Dessa vez, porém, um sorriso largo, de satisfação momentânea consigo mesma.  Já que era uma tragicomédia, o primeiro passo era rir de si mesma.  Não com sarcasmo, ironia ou desprezo.  Complacência era a palavra.  Sorriso e olhar de madonnas renascentistas.  Era preciso, realmente, não se levar tão a sério.  Apesar do universal descrédito que atribuía a si, ela acreditou uma vez mais que ainda havia com que se admirar, e que era possível capturar a beleza.  Mesmo que em uma fotografia.  Buscou deliberadamente uma superfície refletora qualquer.  Precisava registrar na retina aquele novo olhar.  Gelo.  Um arrepio percorreu-lhe a espinha quando percebeu a fragilidade que aquela mirada revelava.  Se pretendia ser complacente consigo não poderia sê-lo com o mundo. Temeu ser engolida, massacrada.  Paranóia?  Talvez.  A única certeza foi que não queria se ferir.  Ou permitir que a ferissem.  Decidiu-se instantaneamente pelo sacrifício.  De si.  Do original.  Vestiu mais uma vez sua armadura.  Colocou o elmo e postou-se em guarda.  Não sabia viver fora da batalha.

Sigh…

Junho 26, 2007

Ela acordou e se viu presa de um tédio mortal.  O cobertor, um peso morto.  Morto o dia nublado apenas entrevisto pela janela.  Um rosto inexpressivo refletiu-se no espelho.  Lembrou Drummond: “quando me levantar, o céu estará morto e saqueado, eu mesmo estarei morto, morto o meu desejo, morto o pântano sem acordes”.  Nem o humano inchaço daqueles que dormiram por horas ou as azuladas olheiras dos que sequer cochilaram lhe marcaram a face e com um olhar de profundo desprezo pelo que via, ela suspirou.  Tentou relembrar o porquê acordara àquela hora e desejou dormir outra vez, para não pensar – ao menos não conscientemente - na imensa tragicomédia de erros que era si mesma.  Quis esquecer-se de si e do mundo.  Mas ele, o mundo, tinha pressa e exigia atenção.  Levantou-se.  Por inércia dirigiu-se ao banheiro e abriu o chuveiro.  A água caiu interminável e,  longe de ser reparadora, realçou na alma cada chaga.  Trocou-se e foi cuidar de seu tirano mundo com suas tiranas filas.  Espera… espera… espera… Finalmente, cumprida a metade do dito “dever”, ela sorriu.  Um sorriso felino, cruel.  Riu de seu racionalismo e de sua extrema tolice. Olhou para as pessoas ao redor e se viu questionando o sentido da vida e de todos aqueles que cruzavam por centésimos de segundo ou por meses e anos a sua existência.  Concluiu que nada fazia sentido. Lançou um olhar perdido à subida que se estendia à sua frente e vislumbrou uma sequência de números que lhe chamou a atenção.  Estendeu o braço e fez sinal.  O ônibus parou.  Com o mesmo sem vontade com que saíra da cama, ela subiu os degraus e deixou-se levar para mais um dia em um lugar vazio, quase destituído de sentido prático, ainda sem saber o porquê.  Dever.  Talvez.  Sentiu-se fria e solitária.  Vazia.  Como a luz visível de uma estrela há muito morta.

Espera…

Junho 18, 2007

Ok… passaram-se mais de treze dias e eis-me aqui: mascando furiosamente um chiclete, na expectativa cruel de uma resposta q me assusta… Eu odeio esperar… notícia ruim, pior ainda!!!

Se fiz o meu melhor?! Talvez o melhor naquele momento… mas não quero sequer me arriscar em futurologia…

Wait wait wait…

Acho q sobrevivo…

Again…

Junho 4, 2007

Há algo que temo, e sempre temi, mais que inícios: a falha. Andei conseguindo evita-la o necessário nos últimos tempos, para ser mais específica, até sábado. Depois de um semestre inteiro de muita ralação, leituras intermináveis e noites insones, descubro que falhei. Falhei porque não fui capaz de fazer o bastante, sequer o suficiente… As horas e horas de esforço sincero e coletivo para escrever um texto pelo menos aceitável não renderam o que eu, e mais cinco, esperávamos.

Taí o aspecto terrível da falha: impõe que se comece de novo. Claro, também abre a possibilidade de fazer melhor na nova tentativa, mas isso não diminui o desgaste… Sinceramente, estou cansada, estressada e com um enorme peso nas costas… talvez maior do que deveria ser, mas eu não sei fugir dos extremos. Desestimulada?! Isso não!!! Só o verdadeiramente perfeccionista teme tanto as falhas e se frustra tanto com elas, mas também é este tipo de ser que tem mais arraigado o compromisso moral de se superar a cada dia – ser apenas melhor que si mesmo. E desta vez serei!!! Juro. Agora, paciência, lá vamos nós de novo: eu, meu ego e um monte de gente que quer muito fazer o melhor humanamente possível. Ainda há 13 dias…

Sempre tive problemas com princípios… de textos, amizades, projetos… Aquele momento decisivo em que você delineia a primeira palavra, o primeiro sorriso, o primeiro esboço de um tema…

Foi um verdadeiro parto as escolhas do curso e da universidade, da habilitação, do esporte e finalmente do malfadado Projeto Experimental… indecisão, indecisão e mais indecisão. Talvez porque inícios sejam a quintessência do desconhecido, talvez fosse (ou seja…) simplesmente medo…

Mas os “malditos três pontinhos” agora dividem espaço com algumas vírgulas intrometidas, que indicam pensamentos ora apressados ora ruminados… Sinceramente, já estava na hora!!!

Gente!!! EU TENHO UM BLOG!!!! É MEU!!! Ok, ok, ok… é um “meu” meio coletivo, um “meu” pra falar das dúvidas, angústias e também das risadas de seis absolutamente descompensados comunicólogos que se reuniram para pesquisar um tema comum: o corpo no vídeo… Agora é a hora dos estilhaços…

Bem vindos Lets, Ma, Maca, Xanás e Jesus… Bem vinda eu à loucura digital… bem vindos marujos e náufragos do mar da informação (ai, como eu tô brega!)…

Ah!!! Claro, Domo Arigato Gozaimashita pra vc, Mirai (obstetra eficiente em partos de blogs!)!!!

Apenas principio… Ai que medo!!!!